sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Psicomotricidade Educacional - Psicomotricidade Funcional e Relacional

Psicomotricidade Educacional

Psicomotricidade Funcional e Psicomotricidade Relacional: Duas Linhas de Pensamento


Professora: Ursula Boeck Roteiro: Edson Gandolfi



Psicomotricidade e Educação - Psicomotricidade Funcional e Relacional

(Transcrição do vídeo)

A Psicomotricidade Funcional está relacionada às famílias de exercícios. Já a Psicomotricidade Relacional se utiliza do corpo como uma das vias principais de aprendizagem.

A Psicomotricidade segue duas linhas de pensamento. A Funcional, que possui uma metodologia diretiva, se utiliza do Teste-Família de Exercícios e mensura a capacidade motora. A Relacional, que possui uma metodologia não-diretiva e trabalha com brincar. Além de potencializar a aprendizagem e o desenvolvimento.

Palavras Chave: Psicomotricidade Funcional, Psicomotricidade Relacional, Brincar, Reeducar, Terapia e Educar.

A PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL:

A Psicomotricidade Funcional tem como objetivo educar sistematicamente as diversas condutas motrizes partindo dos déficits encontrados. Busca com isso, a existência de uma melhor integração do sujeito na vida social e escolar.

A Psicomotricidade Funcional surgiu a partir da Educação Física utilizando-se das famílias de exercícios para a reeducação motora, onde o facilitador dirige a sessão sendo o modelo, de forma a levar o indivíduo a exercitar o corpo de forma a sanar possíveis dificuldades motoras. São exemplos de exercícios: subir, descer, pular e correr. Ela trabalha com um método diretivo de família de exercícios. Trabalha-se com as crianças oferecendo alguns materiais e onde o facilitador oferece o próprio corpo como forma de ajuda para desenvolver as atividades. Como a base do seu trabalho é diretiva, o psicomotricista planeja as atividades, ou seja, planeja uma série de exercícios psicomotores com objetivos pré-estabelecidos visando desenvolver a área motora a ser trabalhada. Durante um tempo estipulado, o psicomotricista dirige as crianças durante sua execução atuando como modelo. As crianças devem seguir os seus movimentos tantas vezes quantas forem solicitadas.

As práticas da Psicomotricidade Funcional atuam basicamente no ato motor, não entendendo ou trabalhando o indivíduo como um todo. Essa prática pode ser necessária em alguns momentos ou em alguns casos, mas se acredita que somente ela não seja tão eficaz quanto à abordagem da psicomotricidade que trabalha o indivíduo em sua totalidade, unindo mente, corpo, cognição e afetividade.

O que sustenta o trabalho prático do psicomotricista é a sua linha teórica.

A PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL:

A Psicomotricidade Relacional tem sua base na psicanálise e diz respeito a sua relação primária entre mãe e filho. Assim, através do brincar, a aprendizagem e o desenvolvimento são potencializados. Desta maneira, o indivíduo consegue expressar sentimentos através do corpo. Ampliando e diversificando o seu vocabulário psicomotor.

A Psicomotricidade Relacional surgiu, naturalmente, durante a reavaliação das práticas exercidas pelos profissionais, que de certa forma, perceberam que faltava algo que atendessem a todas as necessidades dos indivíduos que apresentavam alguma dificuldade e procuravam ajuda. A partir dessa busca, por mais qualidade no atendimento foram sendo aprimoradas técnicas que até hoje são utilizadas para trabalhar através da própria expressão corporal do indivíduo para ajudá-lo a superar suas dificuldades.

A Psicomotricidade Relacional tem um componente importantíssimo, que é o diferencial do que já possuem as outras práticas educativas, que é o jogo. Contudo, não estamos falando de um jogo de basquete ou de futebol, mas sim, de um jogo da Psicomotricidade Relacional que é o lúdico, que é o brincar da criança. Assim, nós podemos encontrar em uma atividade/sessão de Psicomotricidade Relacional o salto, onde, por exemplo, se pode demonstrar a estrutura corporal da criança. Nesse caso, em que crianças que saltam, a sua estrutura corporal é bem mais diferenciada das crianças que não saltam ou não conseguem saltar. Outro elemento que é importantíssimo na Psicomotricidade Relacional ou em uma sessão é a construção (Ex.: de madeiras), que também demonstram a estrutura corporal da criança. Uma criança que constrói na vertical, a sua estrutura estará bem mais aperfeiçoada do que o de uma criança que não consegue. Outros elementos da Psicomotricidade Relacional são as fantasias, as roupas e tecidos que são utilizadas na questão do simbolismo ou jogo simbólico, as quais as crianças podem se exteriorizar durante a sessão.

Mas há as possibilidades de aprendizado e de cognição e os seus limites na construção motriz do ser humano? Não há limite dentro da expressão motriz. O limite está na própria criança, segundo o Professor Fausto Gosmann da Escola Ulbra Paz. O que é utilizado é o brincar e o jogo. E o que uma criança sabe fazer melhor que um adulto? BRINCAR. Então, a Psicomotricidade Relacional parte do princípio do que a criança já sabe, que é esse brincar. E é a partir desse brincar, desse jogo e desse lúdico que o Psicomotricista irá agir, de forma a alavancar todas as formas de processo desenvolvimento da criança.

Na sessão de Psicomotricidade, o papel do psicomotricista facilitador é o de instigar ou provocar a participação e o movimento do sujeito. Neste trabalho, não existe direcionalidade ou qualquer tipo de interferência do facilitador. Ele não ordena exercícios ou exige movimentos. O objetivo é provocar, instigar, facilitar e proporcionar o acesso a diversos materiais e sensações motoras. E observando a atuação do sujeito durante a sessão, o Psicomotricista analisará suas reações para compor o diagnóstico e a possíveis provocações futuras, para o auxílio na superação das dificuldades desse sujeito.

O facilitador, em uma sessão relacional é o profissional que se dispõe emocional e corporalmente para ser o elo de apoio e incentivo nas superações do indivíduo. Ele é o observador, que a partir das práticas realizadas irá compor a aplicabilidade e a eficácia do tratamento, em cada caso. O facilitador não interfere no jogo e no brincar da criança, mas se utiliza da observação do brincar para auxiliar na terapia necessária, buscando a superação das dificuldades apresentadas.

Depoimento de uma criança:

“Jornalista: O que você está fazendo aqui?

A menina: Estou brincando!

Jornalista: Brincando de quê?

A menina: De qual quer coisa!”


Além das duas linhas de pensamento, a Psicomotricidade também apresenta três vertentes: a Reeducação, a Terapia e a Educação. A Reeducação Psicomotora busca reeducar o corpo para que este reproduza movimentos motores de acordo com o padrão esperado. Essa prática tem evoluído de uma relação mecanicista e unilateral para uma relação de escuta e interação. A Terapia Psicomotriz considera as emoções como parte integrante do corpo, pois utiliza as bases da Psicanálise para trabalhar o indivíduo como um todo, sendo estes Portadores de Necessidades Especiais ou não. E que apresentem algum tipo de dificuldade motora ou de relação social. A Educação Psicomotora ou Prática Psicomtriz Educativa surge como uma evolução das duas vertentes citadas anteriormente. Ela busca o desenvolvimento global da criança (como um todo) através do lúdico facilitando sua socialização e auxiliando no processo de aprendizagem.

Em função do lúdico, a criança expressa seus sentimentos de acordo com as suas motivações, levando-a ao desenvolvimento global. Segundo Negrinne, brincando, a criança interage com o meio e potencializa a sua aprendizagem.

4 comentários:

  1. Olá Jacira ! Parabéns pelo blog !! Está muito dinâmico e de fácil compreensão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Luana! A sua opinião será sempre importante! Essa é a ideia mesmo! E sempre que precisar colabore com a sua visita, com sugestões e ideias. Em breve estarei com mais novidades. Bjinhos!

      Excluir
  2. Jacira também estou fazendo psicomotricidade, gostaria de referencia de autores que trabalhem como psicomotricidade relacional. bjus

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Micaela! Sim, eu tenho algumas dicas de autores para você sobre Psicomotricidade Relacional. Um deles é o Bernard Aucouturier e o outro é o André Lapierre. Embora os dois já tenham trabalhado juntos à algum tempo atrás, atualmente eles seguem linhas divergentes, mesmo assim os dois atuam voltados para a Psicomotricidade Relacional. É muito bom conhecer um pouco dos dois para que você escolha qual é a que mais se identifique. Eis algumas referências: Simbologia do Movimento (A. Lapierre e B. Aucouturier), Bruno – Psicomotricidade e Terapia” (André Lapierre); “A falta no corpo: fantasmas corporais e práticas psicomotora em educação e terapia (André Lapierre). Quanto ao Aucouturier existe o livro: "O método Aucouturier - Fantasmas de ação e prática psicomotora."
      Sugiro que entre nos sites do CIAR que seguem a linha do André Lapierre (http://www.ciar.com.br/) e no site do Espaço Nectar que seguem a linha do Aucouturier (http://www.espaconectar.com.br/index.php/principal/).
      Espero que tenha ajudado! Bjinhos e sempre que puder acompanhe o blog com ideias e sugestões.

      Excluir